
NOTA DE REPÚDIO
Abril 11, 2026O silêncio rompido sobre o crime de vicaricídio
Abril 24, 2026Enquanto a gestão da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) promove a terceira corrida da Polícia Penal como um momento de integração e valorização, a categoria segue aguardando respostas concretas para demandas que se arrastam há anos. A metáfora da corrida, neste caso, escancara uma contradição. Há pressa para eventos institucionais, mas lentidão quando o assunto é direito dos servidores. Policiais penais do Ceará são convocados a participar de uma atividade esportiva, mas convivem diariamente com atrasos na Ascensão Funcional de 2024 e 2025, ausência de publicação da comissão responsável do interstício 2025/2026 e uma revisão de nível que insiste em não sair do papel — penalizando diretamente quem sustenta o sistema penitenciário.
A realidade nas unidades prisionais é de sobrecarga, com o sistema operando no limite e dependendo de horas extras para manter o funcionamento básico. Soma-se a isso a ausência de nomeação dos 834 novos policiais penais já formados, a falta de regulamentação da Polícia Penal. Tudo isso mesmo após mais de dois anos da entrega do projeto. Além disso, estamos diante de uma estrutura organizacional ainda indefinida após sete anos de gestão. Não se trata apenas de atraso administrativo, mas de um cenário que compromete a própria institucionalidade da categoria. Ao mesmo tempo, chama atenção a restrição ao acesso de entidades sindicais às unidades, levantando questionamentos legítimos: se está tudo sob controle, por que impedir a transparência?
Mais do que eventos simbólicos, a Polícia Penal do Ceará precisa de decisões efetivas. A categoria não carece de marketing institucional, mas de respeito, valorização e compromisso com aquilo que já foi prometido. Que, após a linha de chegada da corrida, haja fôlego e sobretudo vontade política para enfrentar os problemas reais que atravessam o sistema penitenciário cearense.


